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sexta-feira, 13 de julho de 2012

11.julho.2012 21:11:35

ONGs aplaudiram queda de Demóstenes, seu antigo aliado

O senador cassado Demóstenes Torres era um aliado de organizações não governamentais voltadas para o combate à corrupção, à defesa da transparência e do  voto consciente.  Sua queda, após denúncias de envolvimento com o contraventor Carlos Cachoeira, teve impacto e pode provocar mudanças no relacionamento dessas organizações com os políticos.
O juiz maranhense Marlon Reis, integrante do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, que se destacou na campanha da Lei da Ficha Limpa, lembrou ontem que se encontrou diversas vezes com Demóstenes. “Por suas manifestações de preocupação com as demandas da sociedade e o aprimoramento do combate institucional à corrupção, era um dos políticos com os quais mantínhamos contato”, disse. “Não imaginávamos que estivesse incorrendo em problemas políticos tão graves como os que foram descobertos agora.”
Ontem, ao comemorar a queda de Demóstenes no plenário do Senado, o juiz lembrou que ele acabou atropelado pela Lei da Ficha Limpa, que ajudou a aprovar. ”O que deve ser comemorado, acima de tudo, é o fato de ter sido a primeira vez que um parlamentar não teve a renúncia como alternativa. Com as duas representações que existem contra ele, se renunciasse acabaria caindo na Ficha Limpa, permanecendo inelegível até 2026.”

Para o juiz, a decisão também representa um avanço no combate aos privilégios. “A lição moral do episódio é que demos mais um passo na construção de um país no qual as regras atinjam todos os que cometem erros, independente de seu cargo, de seus vínculos políticos, de seu sobrenome.”
Na avaliação de Claudio Weber Abramo, diretor executivo da organização Transparência Brasil, o caso Demóstenes torna mais evidente a necessidade de não se confiar nas pesssoas, especialmente as que ocupam cargos políticos, pelo que dizem de si. ”O discurso do Demóstenes era todo legal, mas o que ficou à mostra, com as denúncias, foi que não era flor que se cheirasse. O acampanhamento dos políticos deve ser feito de maneira mais aprofundada, além dos discurso. É preciso ter mais informações sobre sua vida pública. No caso em questão, a sociedade só ficou sabendo do que estava ocorrendo a partir das gravações feitas pela polícia. Por que ninguém viu isso antes? É possível, em grande parte, acompanhar o movimento dos políticos.”
Sonia Barboza, diretora da ONG Movimento Voto Consciente, voltada principalmente para o acompanhamento das ações de vereadores em São Paulo, não chegou a ter contato direto com o senador. Mas admite que admirava sua atuação e que ficou chocada quando começaram a surgir denúncias de seu envolvimento com o contraventor. ”Foi lastimável ver a história dessa pessoa, que se apresentava como reta e proba, acabar como acabou, no papel de bandido. Ele devia ser cassado e eu desejei muito que o Congresso seguisse tal caminho, como acabou fazendo. Não havia outra alternativa. “


Roldão Arruda
Repórter
Nacional - Política | O Estado de S. Paulo

terça-feira, 12 de junho de 2012

Os salários da Câmara Municipal de São Paulo


O recente episódio da publicação de alguns salários de funcionários da Câmara Municipal de São Paulo não possui apenas aspectos negativos.

Por um lado, a Mesa Diretora da Câmara é, segundo consta, a primeira casa legislativa a decidir pela publicação de salários, antes mesmo da Câmara e Senado federais, que anunciaram há algum tempo que iriam tomar igual medida. E decidiu fazê-lo mesmo frente à oposição cerrada dos seus funcionários. Portanto, está de parabéns a Câmara.

Mas há que se lamentar que a publicação tenha sido modesta, não alcançando a todos que lá trabalham. E sobretudo, que após virem a luz os níveis salariais pagos na Câmara, absolutamente em desacordo com o mercado de trabalho – e com o bom senso – a mesma Mesa não tenha se movido no sentido de acabar com as distorções salariais evidenciadas com aquela publicação.

Do mesmo modo que corajosamente enfrentou resistências que tantos outros preferem evitar, ao decidir aplicar o teto constitucional aos vencimentos dos seus funcionários, a Câmara poderia tomar várias medidas para alinhar os salários que ela paga com os do mercado. Salvo melhor juízo, ela poderia por exemplo alterar os salários iniciais das carreiras da Casa; poderia acabar com o automatismo dos aumentos periódicos, alegado como uma das fontes das altas somas pagas; poderia definir que nenhuma vantagem, de qualquer espécie, estaria excluída do teto salarial constitucional. A Mesa, maior conhecedora da situação, com certeza poderia encontrar caminhos até melhores para moralizar a folha salarial futura da Casa.

Em outra direção, cremos que existem funções no organograma da nossa Câmara Municipal que não deveriam existir; os trabalhos desenvolvidos naquelas funções poderiam ser contratados a terceiros, permitindo à Casa menores despesas. È com certeza o caso da assistência médica, descrito pelos jornais.

Esperamos que em breve o rol de salários publicados atinja a totalidade dos que trabalham na Câmara, vereadores inclusive, e que providências sejam anunciadas para adequar os gastos futuros com pessoal à realidade do nosso mercado.

Sugerimos por último que os outros poderes municipais teriam muito a ganhar adotando medidas como as sugeridas acima, ou outras que visassem o mesmo fim moralizador.

Danilo Barboza
voluntário do Movimento

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Algumas das caras novas do Voto Consciente

Da esquerda para a direita Ricardo Brito, Liliane Aparecida da Silva, Diretora Marina Sales Barros, Guilherme Siqueira Carvalho, Rafael Romão e Bruno Melnic Incáo. Em pé a coordenadora dos voluntários na Câmara Sonia Barboza, Diretor Geral Danilo Barboza e o Sergio Mendes.
O Guilherme, o Romão e o Sergio estão entrevistando os vereadores sobre o trabalhos deles nesta legislatura para publicação em nosso site e /blog.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Cartilha para eleição 2012 inclui regras da Lei da Ficha Limpa

O GLOBO - PAÍS 29.05.2012
A nova cartilha de orientações para os agentes públicos com as regras para as eleições 2012, que será divulgada nesta terça-feira pela Advocacia Geral da União (AGU), inclui as mudanças definidas pela Lei da Ficha Limpa, aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) este ano. De acordo com a cartilha, os candidatos que perderem seus cargos eletivos por terem cometido crimes ficarão inelegíveis por oito anos após o fim do mandato, como determinou a Ficha Limpa.

Além, disso, um candidato será inelegível, de acordo com a cartilha, se for condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econÿmico ou político para a eleição em que concorrer ou já ter sido diplomado, e ainda para os pleitos que ocorrerão nos oito anos seguintes. A mesma regra vale para candidatos condenados em diversos crimes, como aqueles “contra a economia popular, a fé pública, a administração pú blica e o patrimÿnio público; contra o patrimÿnio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais”, e outros “contra o meio ambiente e a saúde pública; eleitorais, de lavagem ou ocultação de bens”.

Os candidatos “conta-sujas” - aqueles que não obtiveram aprovação das prestações de contas de exercício de cargos ou funções públicas anteriores – também ficarão inelegíveis, apontou a cartilha. Também não poderá ser eleito o candidato que tenha sido condenado por ter beneficiado “a si ou a terceiros, pelo abuso do poder econÿmico ou político” quando exercia cargo na administração pública.

A cartilha reforça as determinações da Justiça Eleitoral já vigentes em anos anteriores aos candidatos e agentes públicos. O documento menciona, por exemplo, os prazos de descompatibilização – a renúncia de cargo público para poder concorrer às eleições – deste ano. Segundo a cartilha, esse prazo já venceu, em 6 de abril de 2012, para aqueles que ocupavam os principais cargos executivos. Também são explicitados os motivos que podem levar o candidato a perder ou ter seus direitos políticos suspensos, e as condutas proibidas para os candidatos em campanha.

Por fim, a cartilha explica as orientações da comissão de Ética Pública da Presidência aos candidatos e agentes públicos. Entre as recomendações, está a de que “a atividade político-eleitoral da autoridade não poderá resultar em prejuízo do exercício da função pública, nem implicar o uso de recursos, bens públicos de qualquer espécie ou de servidores a ela subordinado”.

Flávia Pierry

Orçamento da saúde no município de São Paulo atinge 6,7 bilhões no ano

O Salão nobre da Cãmara Municipal de São Paulo esteve bastante movimentado nesta quarta-feira (30/5). O secretário adjunto de Saúde do Município, José Maria Orlando, apresentou a prestação de contas da área, referente ao primeiro trimestre deste ano. O orçamento ficou em R$ 6.7 bilhões.
Desse total, 75% são oriundos do Tesouro Municipal, vindo dos impostos, 24,6% do Governo Federal e 0,4% são recursos vindos do governo do Estado.
Antes da apresentação dos números, o secretário-adjunto fez um panorama geral da situação da saúde no município. Segundo ele, o governo dobrou o número dos Centros de Apoio Psicossocial ( CAPS), contabilizando 121 unidades. Destacou também a atenção a pessoas com deficiência nos Núcleos Integrados de Reabilitação (NIR),  a ampliação do Atendimento Hospitalar Domiciliar (Prohdom) e o aumento do contingente de ambulâncias, hoje em 120, podendo chegar a 140 até o final do ano. Com isso, é possível prestar até 1.200 atendimentos por dia.
Foram apresentados ainda, números relativos aos atendimentos para casos de Dengue,  serviços oferecidos no controle de natalidade feminina, aumento da equipe de motolância, entre outros resultados, disponíveis no site da Secretaria da Saúde.
Resultados insuficientes
Apesar de todo o destaque do secretário em relação às conquistas da Saúde do município, pelo número de reclamações dos representantes de instituições presentes no evento, foi possível verificar que muito pouco foi feito. A vereadora Juliana Cardoso apresentou alguns dados embasados em pesquisas da equipe de Adib Jatene, os quais dão conta de que ainda faltam 1.200 leitos em São Paulo.
Em relação aos médicos, o contingente até pode ser considerado  bom, segundo parâmetros de cidades de países do primeiro mundo, porém, faltam recursos para se trabalhar, conforme destacou a vereadora.
Outros representantes de instituições e movimentos ligados à Saúde também reclamaram da falta de unidades, equipamentos, profissionais especializados e da precariedade de exames ambulatoriais.

Ivone Rocha
Voluntária do Movimento

terça-feira, 29 de maio de 2012

O Circo da Comissão de Administração Pública

Comissão de Administração Pública – 12. Reunião Ordinária 2012. 23/05/2012. Sala Sérgio Vieira de Mello

Presentes os Vereadores Agnaldo Timóteo (PR), Gilson Barreto (PSDB), José Pereira (PT) e o Presidente da Mesa Alfredo Cavalcante (PT). Ausentes os Vereadores Domingos Dissei (PSD), Noemi Nonato (PSB) e Souza Santos (PSD).
Dentre outros assuntos, discutiu-se o Requerimento 8/2012 proposto pelo vereador José Ferreira (Zelão), com o objetivo de visitar urgentemente as unidades do Serviço Funerário do Município de São Paulo para apurar:
1 – o estado dos veículos à disposição do serviço funerário, pois há denúncias de deterioração, abandono e sucateamento;
2 – estado dos elevadores e equipamentos no Cemitério São Paulo e Crematório Municipal;
3 – demora nos serviços de remoção de corpos; e
4 - condições de trabalho dos servidores.
O requerimento foi proposto com base em denúncias feitas pela mídia impressa. Os Vereadores entenderam não haver questões pontuais, mais precisas a serem averiguadas. As visitas seriam ineficazes, pois o assunto ainda estava muito vago. Seria necessário o adiamento da votação para melhor esclarecimento acerca das denúncias feitas, para colheita dos endereços dos locais reputados com problemas mais urgentes e esse foi o rumo tomado pela discussão. Eis que, pela ordem, o vereador Agnaldo Timóteo pediu a palavra. Solicitou aos demais vereadores que se detivessem a analisar as placas de trânsito e sinalização. Em suas palavras, elas precisam de um padrão para melhor visualização, inclusive durante a noite, pois ele estava indo para um evento, um dia desses, e se perdeu.  Não conseguia enxergar as placas!
Voltando ao assunto do Serviço Funerário, o vereador Gilson Barreto, pediu o adiamento da votação do Requerimento, pois pensa que o Crematório está em perfeitas condições. Defende que primeiro deve ser analisada a necessidade e depois, se o caso, agendada a visita. Mas, Zelão insiste que a solicitação deve ser atendida. Em suas palavras, o Crematório, localizado na “Vila Maria”, não vai bem. O pedido da população deve ser considerado. E foi seguido pelo vereador Agnaldo, que expressou ficar localizado o único crematório do Município de São Paulo na “Vila Maria”! E continuou classificando como “mala”, palavras dele, certa pessoa pública que deveria comparecer perante àquela Comissão nos próximos dias, em atendimento a outro Requerimento, ainda pendente de votação. Disse: “Ele vem aqui e não fala nada! Escamoteia!”. Estava estupefato por aquele sujeito “mala” constar de Requerimento da Pauta.
Por fim, o requerimento concernente ao Serviço Funerário, por não ser embasado em questões pontuais e fundamentais, teve sua votação adiada.
Conforme essas poucas considerações e o que lá foi visto, pode-se dizer, com segurança, que os vereadores componentes dessa Comissão não se entendem. A reunião começou com considerável atraso e, em conversa com pessoas da Casa, obteve-se a informação que a falta de quórum é freqüente. As observações “pela ordem” são totalmente fora de contexto e de propósito. Nada acrescentam à matéria em discussão.  Cada vereador vota em um sentido. Mas não por prerrogativa, por liberdade de convicção. Votam assim porque não entendem o que está sendo votado, se convocação, se convite ou se pedido de informações. Nem o Presidente da Mesa assim o sabe ao conduzir os trabalhos!
É uma tremenda confusão, uma total falta de preparo e uma escancarada demagogia, salvo raríssima exceção.
Camila A.T.Silvestre
Voluntária do Movimento

sábado, 26 de maio de 2012

Os infinitos problemas do trânsito em São Paulo

COMISSÃO DE TRÂNSITO, TRANSPORTE, ATIVIDADE ECONÔMICA, TURISMO, LAZER E GASTRONOMIA – 8. Reunião Ordinária de 2012 (16/05/2012)
Plenário 1. de Maio
Coube a esta Reunião a realização de Audiência Pública com o comparecimento do Diretor Administrativo e Financeiro da CET, Sr. Luiz Alberto dos Reis, e do Secretário-Adjunto dos Transportes, Sr. Pedro Luiz Machado, para esclarecimentos acerca da manutenção dos equipamentos de trânsito sob responsabilidade da CET, como semáforos, a disponibilização de suficiente fardamento ao pessoal e sobre os valores despendidos com o plano de saúde do órgão.
Indagado pelo Vereador Antônio Carlos Rodrigues (PR), sobre a manutenção dos equipamentos de trânsito, o Diretor da CET informou que a prioridade é a reforma dos imóveis ocupados pela companhia, que, por vezes, não se sabe a quem pertencem. Isto porque a CET se estabelece em  imóveis cedidos, muitos irregulares, e não apropriados ao serviço público. A administração acaba sendo realizada em locais precários e sem conforto básico aos funcionários. Tentam primeiro acertar essa situação, reformando o que é necessário, principalmente o imóvel da administração central.
Para isso, no ano de 2012, já foram gastos R$ 8 milhões nas obras.
Instado pelo mesmo Vereador a informar se há problemas com o fornecimento de uniformes para os agentes de trânsito, respondeu que outrora a CET tiveram dificuldades nessa área. A compra e distribuição do fardamento não era a mais adequada.  Com o tempo, chegaram a um padrão ideal de uniforme, promoveram a licitação e realizaram análise externa das amostras fornecidas pelas empresas, a fim de obterem controle de qualidade e adequação. Já solucionaram os entraves e afirmou que foram distribuídos dois conjuntos completos para todos os agentes da CET, individualmente, e que há em estoque um conjunto pronto para cada agente, em caso de contingência. Está em curso nova licitação para a compra de mais duas mudas de uniforme para cada funcionário de trânsito.
Cada GET indica a numeração de seus funcionários e o almoxarifado central separa os uniformes nominalmente. Não há custo extra para isto e nem para a entrega do material. Além disso, o agente pode ir pessoalmente retirar o seu fardamento no almoxarifado. Há estoque disponível.
Segundo o Diretor Luiz Alberto, esta questão está plenamente solucionada. Porém, outros pontos necessitaram ser aclarados, como o custo do plano de saúde utilizado pela companhia, que é muito elevado.
O Diretor esclareceu que o plano de saúde é administrado pela própria CET e que houve um aumento de despesas no ano de 2012 para mais de R$ 40 milhões. Os cem funcionários que mais utilizam os serviços do plano gastaram R$ 14 milhões.

A CET possui um efetivo de 4.630 pessoas e, segundo o Vereador Antonio Rodrigues (PR), por sua experiência em administração, se ela contratasse um plano de saúde privado, incluindo os melhores hospitais de São Paulo, não gastaria a metade do que está despendendo com o plano que ela mesma administra. Em suas palavras, não tem cabimento uma empresa de transportes gerenciar saúde.
Por outro lado, o Diretor da CET asseverou que os funcionários estão satisfeitos com o plano e solicitaram ao Secretário de Transportes que obstasse a licitação que seria feita para mudança para um plano privado de saúde, o que foi atendido. Assim sendo, nenhuma licitação sobre a questão está em andamento. Levantou que um plano privado possibilitaria cobertura nacional e que não haveria contrapartida financeira por parte do funcionário que o utilizasse. No atual plano, o funcionário tem que contribuir com certo valor quando da utilização. Isto mudaria.
O vereador Aurélio Nomura, por sua vez, pleiteou explicações dos dois convidados acerca da necessidade de realização de concurso público para preenchimento de cargos na CET e do plano de mobilidade urbana. Destacou que foi destinada a quantia de R$ 15 milhões para o citado plano e que nada foi feito pela Secretaria dos Transportes. Afirmou ser indispensável o comparecimento pessoal do Secretário dos Transportes para prestar essas informações.
O Secretário-Adjunto, Pedro Luiz, disse que há um plano anterior, que é constantemente aprimorado, e que o plano de mobilidade urbana cobrado pelo vereador, apesar de disponibilizados os valores necessários, ainda não foi feito. Não sabem definir o que é o plano, qual o seu significado. Prontificou-se a decidir a forma de apresentação e trazer à Casa na data que for aprazada.
Com relação ao concurso público para a contratação de novo pessoal, o diretor da CET afirmou que não é adepto à realização, pois a companhia está saldando um parcelamento junto a Previdência Social, por atrasos em recolhimentos, o que torna inconveniente novo concurso.
Divulgou que no ano de 2010 foram arrecadados R$ 551 milhões em multas por infrações e, no ano de 2011, R$ 746 milhões, o que trouxe indignação, pois as cifras são altas e ainda assim a CET enfrenta tantos problemas com fardamento de pessoal, falta de agentes de trânsito, equipamentos de sinalização precários ou em mau funcionamento.  Concluiu-se que essa enorme arrecadação não foi revertida para o trânsito, como ordena o Código de Trânsito Brasileiro, Lei n. 9.503 / 1997.
Os esclarecimentos foram prestados e nada ficou resolvido. Pior! Com a divulgação dos números, nada foi compreendido.
Camila Andréa Tessare
Voluntária do MVC





quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Audiência Pública Sem Audiência

Desde o dia 1º de fevereiro a Câmara reiniciou seus trabalhos.
Hoje porém, foi o primeiro dia em que as comissões funcionaram. Nem todas.
A comissão de finanças cumpriu toda a pauta sem a presença dos vereadores Milton Leite e Ricardo Teixeira, a de transporte com a presença de cinco vereadores faltando Domingos Dissei e Wadih Mutran.

Aconteceram duas audiências públicas (finanças e transporte) às quais somente compareceram assessores de vereador defendendo projetos de seus chefes. A população não estava presente, mas pudera, a de finanças foi às 10 horas da manhã e a de educação às 14 horas.

Nas audiências públicas que são planejadas para que a população opine sobre os projetos em pauta, dê sugestões e mais, e nas quais quando programam projetos polêmicos são chamados especialistas para opinarem e instruírem os vereadores, o que se vê é um evento de mentirinha, nem a população comparece e nem os vereadores se interessam em estar presente.

Há muito o MVC vem batalhando para que haja mais publicidade das audiências públicas e que a população, quando presente, receba do presidente da comissão alguma resposta, satisfação da sugestão dada.
O que acontece quando o cidadão se dispõe a comparecer é que ele percebe que perdeu seu tempo e esforço. Nunca saberá se deram ouvidos ou não à sua sugestão, e porque não.

Segue em anexo a consolidação das presenças dos vereadores em Audiências Públicas no ano de 2011, segundo informações do site da Câmara .

Em tempo: a partir da próxima quarta feira não teremos mais cópias em papel das pautas das comissões

Sonia Barboza
Diretora e Coordenadora na CMSP
Movimento Voto Consciente
www.movimentovotoconsciente.org.br
Fev/ 2012

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

VEREADOR SENTE NA PELE O QUE A POPULAÇÃO RECLAMA HÁ ANOS!!!


A Comissão de Finanças com muita frequência convida diretores, secretários do governo para dar explicações sobre alguma irregularidade.
Sem dúvida alguma a fiscalização do executivo exercida pelos vereadores é uma das atividades mais importante. Nota-se porém, que muitos vereadores o fazem mais por questão política do que fiscalizadora.

Para quem assiste à sessão passa a impressão que os vereadores da comissão de finanças, mormente os de oposição, lêem os jornais pela manhã e na quarta feira redigem um requerimento pedindo informações ao executivo sobre as denúncias levantadas pela imprensa.

Tem acontecido que alguns secretários não comparecem quando são convidados e chegam a não aparecer mesmo quando são convocados e reconvocados desafiando a autoridade dos Edis. É o caso do diretor do departamento de Limpeza Urbana- LIMPURB – Sr. Márcio Matheus
E mais, há requerimentos não respondidos desde o início do ano!!!

Não seria mais fácil que a Prefeitura tivesse todas estas informações no site???
 O vereador Jatene disse que “até tem, mas estão de forma que não dá para entender.”

É bom que eles sintam na pele o que a população vem reclamando há anos.
Sonia Barboza

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O “Piritubão” poderá ser aprovado sem que se saiba ao certo dos detalhes do projeto.

Há duas semanas, na audiência pública sobre o projeto 470/2011 – Piritubão - era unânime o sentimento tanto da população que compareceu em grande número como dos vereadores de que não adiantava discutir um projeto do qual nada se sabia. Foram com estas palavras que o vereador Paulo Frange, presidente da comissão de Política Urbana, encerrou a sessão.

Para surpresa nossa esse projeto foi aprovado em 1ª votação no plenário na semana passada e hoje, já estava na pauta do Congresso de Comissões para ser aprovado pelos líderes das comissões e seguir para o plenário para 2ª e última votação ainda neste ano.

Por razões não declaradas, embora o auditório Prestes Maia estivesse lotado de vereadores, não deu quorum e a sessão não pode ser aberta.

Caso você não saiba, Piritubão,  é o apelido dado ao projeto do executivo que propõe a construção do Parque de Eventos Expo - SP, na Zona Oeste de São Paulo. Um projeto de extensão 25 vezes maior do que o Itaquerão.
Sonia Barboza

CRIANDO CIDADÃOS CONSCIENTES

Vejam como os jovens de Centralina,MG estão se educando para tomar seus lugares como cidadãos responsáveis deste país no futuro.
Abaixo o email recebido pelo Voto Consciente de um de seus núcleos do oeste de Minas Gerais.

Prezadas supervisoras da E.E. Wilson de Melo boa tarde,

É com muita alegria e satisfação que envio-lhes o fechamento do ano com o total de presença dos alunos nas reuniões da Câmara Municipal de Centralina. Em um dos relatórios constam os nomes e as datas de quem participou das reuniões no ano de 2011.
Outro relatório consiste em apenas as datas e notas extras dos alunos que participaram no período  4º bimestre de 2011.
Lembrando que notas dos outros bimestres já foram enviadas anteriormente.

Vale ressaltar que tivemos um total de 357 presenças em 2011, com reuniões de duração média de  1h:30min, no entanto, o que devemos refletir é que além de os alunos aprenderem algo, mesmo que seja pouco comparados ao precisam, esses adolescentes ficaram mais de 500 horas sem estarem expostos às drogas e/ou assuntos que não agregariam a nada em sua vida. Isso é o que devemos entender e sensibilizarmos.

Obrigado e que 2012 consigamos aumentar o interesse de mais alunos.

Desde já agradeço a atenção.

Abraços conscientes!

Evaristo Faria Júnior
Coordenador Geral do MVC-C.











Os Professores Responsáveis:







Sonia Barboza.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Confusão hoje na CCJ


A sessão foi aberta no horário previsto com nove integrantes, porém com o vereador Quito Formiga substituindo o vereador Aurélio Miguel.

O presidente da comissão, vereador Arselino Tatto, como sempre um rígido seguidor do Regimento, avisou o substituto que ele era muito bem-vindo à comissão, porém enquanto não recebesse a informação de substituição assinada pelo presidente da Casa ou quem fosse de direito, ele, vereador Quito Formiga, não poderia votar.

Não demorou muito para entrar em cena seu colega de partido, o vereador Antônio Carlos Rodrigues, que tomou o lugar de Quito Formiga, se dizendo o substituto legal do partido naquela comissão. A confusão estava formada!

Dr. Breno e Dra Adela, chefe do gabinete da presidência e chefe da Secretaria Geral Parlamentar, respectivamente, apareceram para tentar solucionar a situação.

Ao fim, o presidente da comissão adiou todos os projetos para a próxima sessão; mesmo assim, com todo o tempo da comissão gasto com apartes até do líder do governo, vereador Roberto Trípoli, o papel assinado não chegou.

Sonia Barboza
Voluntária

Desrespeito ou desorganização?

Como de praxe, fui assistir a reunião da Comissão de Saúde neste 30 de novembro.

Às 13 horas, horário marcado, não havia pessoa alguma da Câmara no local marcado. Dirigi-me então ao Cerimonial, aproveitando estarem no mesmo andar, para saber de um possível cancelamento, mas eles não haviam recebido qualquer comunicação neste sentido. Voltei ao Salão Nobre e esperei; comigo esperaram alguns outros munícipes, e lá ficamos até bem após expirar o prazo para começar a sessão, ainda sem qualquer pessoa da Comissão. Mas já no saguão dos elevadores, cerca de 11:30 horas, uma equipe da TV Câmara chegou apressada e me perguntou se a sessão já havia terminado.

Ou seja: todos os membros, mais a secretaria da Comissão, sabiam do cancelamento. Porém nem o Cerimonial nem a TV Câmara tinham sido avisados.

E os munícipes? Ora, os munícipes ...

Danilo Barboza
voluntário

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Entidades querem que obras para a Copa sejam identificadas no orçamento de São Paulo

Integrantes do projeto Jogos Limpos entregam oficio na Câmara de Vereadores e para o governo estadual pedindo que a lei orçamentária especifique quais são os investimentos para o campeonato mundial de futebol

Organizações da sociedade civil, sindicatos e federações de funcionários públicos iniciaram uma campanha para que as obras da Copa de 2014 em São Paulo sejam identificadas no orçamento estadual e municipal.
“Hoje é um desafio para qualquer cidadão saber o quanto o governo planeja efetivamente gastar com a Copa do Mundo. Essa ação permitirá que, pelo menos, seja possível saber onde o governo pretende gastar”, declara Matias Rath, coordenador de políticas públicas do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e mobilizador do Comitê Local de São Paulo do Projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios, a rede de entidades que está a frente desse processo.
A mobilização começou na tarde do dia 26 de setembro, quando foi protocolado um oficio endereçado ao presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara de São Paulo, o Vereador Antonio Carlos Rodrigues. No documento, as entidades pedem para que todo investimento relacionado com a realização da Copa do mundo de 2014 seja identificado claramente na Lei Orçamentária Anual para o ano de 2012. Outra demanda apresentada é que a relação com o campeonato mundial da FIFA seja explicitada em todas as formas de divulgação dos investimentos projetados para este fim, com nos editais de contratação e nas placas informativas presentes nas obras.
O oficio semelhante foi entregue para os deputados estaduais na audiência pública sobre o orçamento de 2012 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo no dia 29 de setembro.  Todas as autoridades do executivo e do legislativo ligadas à formulação e aprovação do orçamento tanto da cidade de São Paulo como do Estado receberão o pedido de inclusão.
A presença desse ponto na lei orçamentária é importante para tornar compulsória a identificação. “A lei orçamentária é uma excelente ferramenta de controle social, pois permite analisar as reais prioridades dos governantes”, explica Matias Rath.
As entidades que assinam este manifesto são: Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social; Central Única dos Trabalhadores São Paulo (CUT/SP); Cidade Escola Aprendiz; Confederação dos Servidores do Poder Legislativo e Tribunais de Contas do Brasil (Confelegis); Federação Nacional das Entidades dos Servidores dos Tribunais de Contas do Brasil (Fenastc); Instituto Educa Brasil; Instituto Trata Brasil; Movimento Voto Consciente; Observatório de Metrópoles; Sindicato dos Servidores da Câmara Municipal e do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (Sindilex); Rede Nossa São Paulo.


Ação coordenada nacionalmente
 “A identificação no orçamento tem baixo custo e é altamente viável”, avalia Felipe Saboya, também do Instituto Ethos, é o Coordenador Nacional de Mobilização do projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios. Ele explica que o governo estadual de Pernambuco e a prefeitura de Porto Alegre já identificaram nos seus orçamentos para 2011, ou seja, os orçamentos em vigor, quais os investimentos eram voltados para a Copa do Mundo. O governo federal também determinou, através do Decreto Presidencial s/ nº, de 26/07/2011, que o Projeto de Lei Orçamentária e o Plano Plurianual (PPA) devem discriminar quais obras e investimentos têm relação com a Copa ou os Jogos Olímpicos.
A exemplo do que está sendo feito em São Paulo, a sociedade civil pressionará para que os investimentos governamentais para esses grandes eventos esportivos sejam identificados nas leis orçamentária dos estados e das cidades que receberão os jogos.
O projeto Jogos Limpos conta com comitês instalados nas 12 cidades-sede do campeonato reunindo mais de 100 organizações, entre entidades da sociedade civil, órgãos de representação profissional e do controle do Estado. Uma das ações planejadas para esses comitês é pressionar o executivo e o legislativo, tanto municipal como estadual, em cada uma das cidades-sede para garantir que todos os investimentos públicos previstos sejam identificados.
Essa iniciativa em nível nacional servirá tanto para realizar uma estimativa mais realista do total dos investimentos públicos para os megaeventos como para garantir que somente obras pensadas para eles possam ser licitadas dentro do Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC), aprovado no congresso em julho deste ano.

SOBRE O PROJETO JOGOS LIMPOS DENTRO E FORA DOS ESTÁDIOS - Lançado em dezembro de 2010, o Projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios é uma iniciativa liderada pelo Instituto Ethos. Com patrocínio da Siemens Integrity Initiative, o projeto investirá 3,1 milhões de dólares (cerca de R$ 5 milhões) em ações para aumentar os níveis de transparência, integridade e controle social sobre os investimentos que serão feitos no país em obras de infraestrutura para a Copa do Mundo FIFA 2014, para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. Além de ações coletivas da sociedade civil, o projeto fomenta também acordos setoriais com empresas, compromissos de transparência de governantes e elabora ferramentas para o monitoramento e controle social.
SOBRE O ETHOS - O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que agrega mais de 1.400 empresas de diversos portes e setores. O Ethos tem a missão de mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade sustentável e justa. Seus associados têm em comum a busca por uma gestão sustentável e socialmente responsável, por padrões éticos e transparentes de relacionamento com funcionários, clientes, fornecedores, comunidade, acionistas, poder público e com o meio ambiente. Idealizado por empresários e executivos oriundos do setor privado, o Instituto Ethos é um pólo de organização de conhecimento, troca de experiências e desenvolvimento de ferramentas que auxiliam as empresas a analisar suas práticas de gestão e aprofundar seus compromissos com a responsabilidade corporativa. É hoje uma referência internacional no assunto e desenvolve projetos em parceria com diversas entidades no mundo todo. Seu presidente é Jorge Abrahão.
Clique aqui para ouvir a entrevista na CBN com Milton Jung e o coordenador regional Matias Estevão Rath
http://tinyurl.com/6ab2kak

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Às favas com a Fifa

SEGUE A INTEGRA DA ENTREVISTA COM JUCA KFOURI

Juca Kfouri quer vencer nos pênaltis

RESUMO


Para o jornalista Juca Kfouri, a Copa no Brasil em 2014 põe em risco a soberania do Brasil e não condiz com a realidade social do país. Em revista de ensaios, busca envolver o leitor intelectualizado na discussão das consequências políticas e econômicas da Copa e atraí-lo para sua cruzada contra a CBF e a Fifa.


GUILHERME BRENDLER

QUE JUCA KFOURI, 61, é o mais radical crítico à Copa do Brasil em 2014 não é novidade. Seja em sua coluna na Folha, em seu programa na rádio CBN ou na TV a cabo (ESPN), são diárias as suas declarações contra a política da Fifa e à CBF de Ricardo Teixeira.
Na edição da revista "Interesse Nacional" [Ateliê, 86 págs., R$ 25], que chega na quarta-feira às livrarias, Kfouri expõe suas razões em argumentação próxima à de artigo acadêmico, buscando a adesão de um público mais afeito às querelas diplomáticas ou da política partidária do que às do futebol.
Na edição anterior da mesma revista, publicada em abril, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicou o polêmico artigo que dizia que o PSDB deveria se aproximar da classe média e não disputar o "povão" com o PT.
"Se 10% do seleto público da revista passar a acompanhar as questões políticas do futebol, será maravilhoso", disse Kfouri à Folha. Na entrevista a seguir, concedida em sua casa, ele repassa alguns dos pontos do artigo "A Copa do Mundo é Nossa?" e não esconde a sua decepção com figuras como Lula, o PT e outros.
 Erro! O nome de arquivo não foi especificado.

Folha - O que está em jogo para o Brasil na aprovação da Lei Geral da Copa, que define as regras para sediar o evento?

Juca Kfouri -
Quando um país se candidata a um Mundial, ele já sabe que vai entregar a sua soberania. A isenção de impostos, os convidados VIPs, a possibilidade do marketing de emboscada, a bebida alcoólica no estádio. Tudo isso já está no caderno de encargos.
Na Alemanha, em 2008, com exceção da cidade de Dortmund, onde o Partido Verde brigou para cacete e conseguiu fazer com que se vendesse também a cerveja local, em todos os estádios era possível comprar apenas Budweiser. Isso é uma ofensa no país da cerveja servir aquele xixi de caveira.

Qual é o risco de o Brasil deixar de ser sede da Copa de 2014?

O risco que o Brasil corre é de a Fifa se arreglar com a Inglaterra, que está incomodando uma barbaridade, e entregar a Copa a eles.
Gostaria de ver isso. Já ocorreram desistências, como a Colômbia, que desistiu dois anos antes de realizar a Copa de 1986. Acho que o Brasil não vai desistir, mas a Fifa pode, sim, entregar a Copa do Mundo para a Inglaterra se o governo dificultar muito a vida deles.
Agora, devido às pretensões brasileiras de ter um lugar no Conselho de Segurança da ONU, é difícil imaginar que o Brasil deixe isso acontecer. Penso que a presidenta Dilma vai endurecer o quanto ela puder, mas cederá tudo aquilo que for inegociável para a Fifa.
A indicação do [deputado federal] Vicente Cândido (PT-SP) como relator da Lei Geral da Copa mostra que a presidenta não está com tão inflexível. Cândido é também vice-presidente da Federação Paulista de Futebol e sócio de Marco Polo del Nero, homem muito ligado a Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do COL [Comitê Organizador Local da Copa do Mundo].
Eu exultaria se o Brasil mandasse a Fifa às favas. Seria uma demonstração de dignidade, de soberania. Acho que seria um exemplo e que dinamitaria a Fifa. Mas é óbvio que é tudo suposição. É muito difícil que isso ocorra.

Você está desiludido com a política do PT em relação ao futebol?


Já tive diversas desilusões na vida. Eu achava que o Lula romperia com esse pessoal do futebol. Hoje estou convencido de que o governo do PT não é um governo de rupturas, não faz rupturas. Eu vi o Lula dizer que nunca mais o jornalista Juca Kfouri diria que o torcedor no Brasil era tratado como gado, que "a presença dele aqui é uma homenagem a todos os jornalistas que foram processados, tiveram credenciais negadas por essa cartolagem que infelicita o Brasil". Isso foi em 2003, na assinatura do Estatuto do Torcedor, a primeira lei que ele assinou. Não havia um único cartola na cerimônia.
Seis meses depois, ele estava de braços dados com o Ricardo Teixeira naquele jogo no Haiti. Que foi lindo, uma história muito bonita. O poder de sedução da cartolagem brasileira é algo que não deve ser desprezado. Pergunte ao Ricardo Teixeira de quem ele gosta mais: do Lula ou do Fernando Henrique Cardoso?
Não é curioso? O Teixeira detesta o Fernando Henrique. Eles não têm uma foto juntos. No dia que voltaram da Ásia campeões do mundo, em 2002, o FHC condecorou o Ricardo Teixeira na sala dele, sem fotógrafo. Com o Lula tem um milhão de fotos, de braços dados, de camisa aberta, tomando cerveja, de todas as formas.

Você é um dos raros corintianos contra a construção do Itaquerão.


As pessoas me falam: "Você é contra o Itaquerão, pô! Que tipo de corintiano você é?". Não se está discutindo se o clube merece ou não um estádio. O que se discute é que a operação, em si, é um escândalo. Numa cidade como São Paulo você achar que um estádio como o Morumbi não serve para sediar seis ou sete jogos da Copa do Mundo no Brasil é loucura.
Se os alemães tivessem demolido o Allianz Arena, em Munique, tudo bem. Mas a Alemanha pode. Nós não. Cinquenta anos depois descobriram que o Morumbi não serve para jogo de futebol? Já se fez tudo que é competição aqui: final de Libertadores, eliminatórias de Copa, Mundial de Clubes da Fifa.

Mas seriam necessárias reformas.


Claro, o Morumbi não é o ideal, mas é factível. Como o Ellis Park foi factível para a Copa na África do Sul, em 2010. Agora, em Johannesburgo também cometeram excessos. Fizeram o Soccer City, a 4 km do Ellis Park, no Soweto. Qual era a justificativa: polo de desenvolvimento. Aqui, polo de desenvolvimento! [fazendo uma "banana"]. Vá lá ver se é polo de desenvolvimento. Os caras têm um monumento daqueles, mas não têm o que comer.
Na Cidade do Cabo fizeram um estádio maravilhoso, uma das coisas mais lindas que já vi. Mas desalojaram 4.000 famílias da região. Agora falam em demolir porque nunca mais ocuparam o estádio.
Vamos repetir isso no Recife, apesar de o Náutico ter dito que poderá usar o novo estádio. Mas e em Brasília, Cuiabá, Natal? Nem futebol profissional há por lá!

Então o Brasil não deveria nem ter pensado em sediar uma Copa?


Aí é que está. Deveria, sim. Mas para fazer uma Copa do Mundo do Brasil no Brasil. Não uma Copa do Mundo da Alemanha no Brasil. Claro que o Brasil pode fazer uma Copa, mas tem que fazer dentro das nossas possibilidades.
E qual o maior sentido que faria para o Brasil sediar um evento como esse? Os legados para as tais 12 sedes. Em Johannesburgo, por exemplo, eles ficaram com um aeroporto ótimo. Embora tenha sido inaugurado um dia depois do fim da Copa, está lá, e o povo sul-africano pode usufruir disso. Tem a linha do monotrilho que liga o aeroporto ao centro rico da cidade.
Esse tipo de investimento deveria ser feito aqui. Essa obsessão por novos estádios é uma reprodução, sem tirar nem pôr, do que se fez durante a ditadura militar. Os estádios brasileiros nunca tiveram sua capacidade máxima ocupada, têm 65% da capacidade ociosa nesse Campeonato Brasileiro.
Estamos construindo elefantes brancos, reproduzindo o que ocorreu durante a ditadura em um governo democrático, dito de esquerda, sob a égide do PC do B. Isso é uma loucura!

Foi o que ocorreu nos Jogos Pan-Americanos, no Rio, em 2007?


Quando criticávamos o que estava sendo feito em torno do Pan, diziam: "Esses jornalistas são maníacos por fracasso, são mal-humorados, antipatriotas etc.". Diziam que fariam o melhor Pan da história e deixariam três legados para o Rio: o metrô entre Jacarepaguá e a cidade olímpica, a despoluição da baía da Guanabara, da lagoa Rodrigo de Freitas.
Nenhuma dessas coisas foi feita. A ponto de um atleta do remo pescar um colchão durante a prova. Quem fez a maratona aquática saiu doente.
Mas os equipamentos esportivos ficarão para a Olimpíada, me diziam. Tem o Parque Aquático Maria Lenk, lindo, maravilhoso. Coisa de Primeiro Mundo. Aí vem o COI [Comitê Esportivo Internacional] e diz: infelizmente, a capacidade de público é aquém da que a gente exige em provas de natação. Então o Maria Lenk será usado no aquecimento das competições. Será preciso construir um novo centro para as provas oficiais.
A previsão inicial de gastos com o Pan era de R$ 400 milhões. Custou R$ 4 bilhões. E o TCU [Tribunal de Contas da União] diz que houve uma série de irregularidades, mas que esse é o preço do noviciado, que foi feito um evento desse porte. É brincadeira! Não estou falando da Copa de 1950. Me refiro a algo que ocorreu quatro anos atrás. Então, me dê uma razão para acreditar que vai ser bom, uma razão.

Você gostou do perfil de Ricardo Teixeira que a revista "Piauí" publicou na edição de julho?


Eu tirei o chapéu para a Daniela Pinheiro, que escreveu o texto. Ela inclusive me perguntou: "O que eu fiz de errado que você e ele gostaram?". [Risos] Eu disse que eu continuaria gostando, mas que ele não gostaria depois de um tempo. Hoje eu sei que ele não gosta mais porque já levou uma represália da Globo por causa da matéria.
Ele baixou as calças de um parceiro em praça pública. Isso tem um preço, evidentemente.
Ele é um ogro. O Ricardo Teixeira é um ogro. A reportagem é um retrato do que ele é. Um cara que vai a um restaurante cuja grande atração é um jardim, e ele senta de costas. A menos de 500 metros do hotel onde ele sempre se hospeda ficam os vitrais do Chagall, e ele nunca foi lá. O episódio do beliscão na filha. A história do casaco de pele que custa "só mil euros".
Passei anos juntando documentos, denunciando, mas nada foi tão demolidor quanto as frases dele. A reportagem mais demolidora contra o Ricardo Teixeira nesses anos todos foi a Daniela quem fez, usando só com as descrições do que ela viu e com as palavras dele. Apenas isso. Nada mais.

Você divide o seu artigo em primeiro tempo, intervalo, segundo tempo e prorrogação. Quem vencerá a disputa nos pênaltis?


Adoraria responder: "Nós, os brasileiros, os cidadãos brasileiros. Não a cartolagem". Vinte anos atrás eu te daria essa resposta, mas hoje eu sei que nesse filme de mocinho e bandido os bandidos ganham no fim. Raras têm sido as vezes em que os mocinhos ganham.
O professor Carlos Wainer, da UFRJ, usou uma expressão esses dias que eu nunca tive coragem de usar. Ele disse que o futebol brasileiro vive ainda no sistema feudal.
E é verdade. As federações são feudos, e os cartolas, senhores feudais. Embora estejam todos milionários, não têm dimensão do quanto podem tirar desta galinha dos ovos de ouro sem matá-la. Eles querem é raspar o tacho.

FHC condecorou o Ricardo Teixeira na sala dele, sem fotógrafo. Com o Lula tem um milhão de fotos, de braços dados, de camisa aberta, tomando cerveja, de todas as formas

As federações são feudos, e os cartolas, senhores feudais. Embora milionários, não têm dimensão do quanto podem tirar desta galinha dos ovos de ouro sem matá-la
Eu exultaria se o Brasil mandasse a Fifa às favas. Seria uma demonstração de dignidade, de soberania. Acho que seria um exemplo e que dinamitaria a Fifa

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Exercite sua cidadania, pense e julgue

seg, 15/08/11 por milton.jung | categoria Adote um Vereador | tags , , ,

Adote um Vereador
Danilo, Cláudio e Sonia participaram do encontro do Adote um Vereador

Ler, pensar e julgar. São exercícios aparentemente banais mas que diferenciam o cidadão. Na academia da vida, a sociedade se fortalece quando se capacita a desenvolver estas habilidades e somente não avança mais porque as subestima. Pensei nisto, sábado, durante encontro mensal do Adote um Vereador, no café do Pátio do Colégio. Nossa colega de agitação cidadã, Sonia Barboza, nos convidou a avaliar os 50 primeiros projetos de lei apresentados pelos vereadores de São Paulo, em 2011, com a intenção de identificar o apuro com que o Movimento Voto Consciente analisa as ações no parlamento.
O desafio era entrar no site da Câmara Municipal, identificar os projetos, ler o texto e a justificativa apresentada pelos vereadores e dar uma nota sobre o impacto da lei proposta na cidade, conforme os critérios do Voto Consciente – ONG que não exige apresentação, ao menos para você caro e raro leitor deste Blog. Ressalte-se, ao avaliar o impacto, dentro das normas do VC, não se está dizendo se somos contra ou a favor do projeto de lei, apenas o quanto aquela ideia, se aprovada, pode se refletir na cidade.
As notas e critérios para esta avaliação são as seguintes:
10 – política públicas para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos ou estimular a transparência da administração e a prestação de contas
9 – Amplo alcance sobre um setor da administração pública, como saúde, educação e outros, buscando uma regulamentação mais ou menos ampla deles
7 – Regulam problemas de uma determinada zona geográfica e que se referem a temas de imapcto territorial
5 – Projetos feitos para atender demandas e exigências de grupos com carcaterísticas similiares ou reunidos em torno de um interesse comum, que pode ser de uma associaçao, comunitário, reivindicatório, etc
3 – Projetos de menor impacto
0,5 – Projetos para melhorar a gestão, o funcionamento interno ou a dinâmica das sessões da Câmara, ou outros projetos menores
0 – Homenagem, denominação de logradouros, datas, eventos, etc, não foram considerados.
Ao navegar no site, abrindo projeto de lei por projeto de lei, a primeira tentação foi dar notas de acordo com meu gosto (ou desgosto) pela ideia proposta. Apesar de esse ser um ótimo exercício, que deveria ser frequente para cada cidadão, não era o meu papel naquele momento. Tinha de identificar apenas se a pretensão registrada pelo vereador teria capacidade de atingir toda a cidade, uma área temática ou geográfica, um grupo de pessoas apenas ou, simplesmente, não servia para nada.
Em seguida, percebi que continuamos a desperdiçar o tempo do parlamento com assuntos de pouco interesse, alguns dos quais, se aprovados, não mexerão uma palha na vida do cidadão. Ao mesmo tempo, há assuntos que merecem discussão mais profunda e podem colaborar com a melhoria da qualidade de vida na cidade, se não de todos ao menos de uma parcela da população.
Tive dúvidas em muitos casos sobre que nota seria a mais justa, mesmo que discordasse do projeto de lei. Fui obrigado a ler, reler e compreender a intenção do parlamentar nem sempre clara no texto de justificativa, marcado pela burocracia. Em lugar dos artigos e citações de lei, ficaria mais satisfeito se encontrasse uma descrição sincera e transparente, do tipo: “quero aprovar este projeto porque vai ajudar o pessoal que me ajudou a eleger.
Apesar da dimensão do trabalho, avaliar o impacto do projeto dos vereadores não requer prática nem habilidade – como costumava dizer minha mãe. É necessário um pouco de sensibilidade cidadã, apenas. Paciência, também, para procurar as informações.
Se você tiver a mesma paciência que eu tenho, leia o roteiro que preparei; caso contrário, pule para o parágrafo seguinte:
Na relação que está do lado esquerdo da tela, procure “ATIVIDADE LEGISLATIVA”; em seguida clique em “PROJETOS”; procure em “TIPO DE PROJETO” o nome “PROJETO DE LEI”; coloque o “NÚMERO DO PROJETO” e o “ANO”; e clique em “PESQUISAR”; vai abrir a tela com a ementa ou o resumo do projeto de lei e, caso você queira mais detalhes, clique no link que aparecerá com o número e a data do PL; lá dentro haverá uma série de informações disponíveis, sendo as mais importantes o texto completo do PL e a justificativa.
Dos muitos colegas que participaram do encontro não sei quantos terão tempo suficiente para atender ao pedido feito pela Sonia, mesmo porque o prazo que ela nos impôs era curto. Minha lista mandei nesta segunda-feira mesmo. Tenho certeza, porém, de que todos saíram de lá com mais uma lição das muitas que aprendemos desde que nos iniciamos no Adote um Vereador. O olhar criterioso sob as ideias apresentadas pelos vereadores é bem interessante e nos ajuda a entender melhor o que pensam nossos representantes, qualificando nossas escolhas e votos.
Se boa parte dos cidadãos se desse ao trabalho de “ler, pensar e julgar” sobre os atos de cada um dos vereadores, usando o critério que lhe convier, finalmente conseguiríamos construir uma Câmara Municipal mais apropriada para a dimensão e importância da cidade de São Paulo.